Noiva bonita

Fernanda

Por  | 

Fotos: Felipe Lannes

 

Para tudo! Essa expressão é a melhor maneira de resumir o vestido da Fernanda, criado por ela mesma. Sim, a noiva é estilista. Ela é um dos nomes por trás da Muda, marca que deixa você linda para dormir, para assistir Netflix e ir à padaria. Aí as primas começaram a casar, pediram para ela fazer o vestido… As amigas das primas… Então paralelo ao trabalho da grife de homewear, ela abriu seu ateliê de sob medida. E depois de tornar realidade o sonho dessas noivas, se viu diante do próprio croqui.

Fácil ou difícil?
Difícil! “São muitas opções, o leque é muito grande. Tudo é possível! E isso dificulta o processo. Eu tinha acesso a tudo e a todos fornecedores. Além disso, sempre gostei de misturar técnicas diferentes”, conta a noiva, que chegou até a pensar em usar recorte a laser, já que não encontrava uma renda legal. Até que encontrou. Ela foi a base do modelo com perfume anos 20. Para dar ainda mais carinha de antigo, a estilista tingiu o vestido com café (já está na pauta uma matéria exclusiva sobre isso). “A pala é a única na cor original, um champanhe. Também usei musseline de seda pura off-white, mesma cor da renda. Aí,  para ficar com essa cara de antiguinho, tingi a saia depois de pronta”, explica. Antiguinho, sim, mas sem ser caricato, sem parecer figurino. Um dos segredos para torná-lo atual foi o fato de não ter recorte na lateral: o drapeado que desce nas costas segue para a frente. Isso deixou o modelo supercontemporaneo, além de ter ajudado a marcar a cintura.

Soluções de quem entende
Fernanda queria um vestido fluído, que se movimentasse. Então fez ele inteiro aberto, com nesgas na frente e atrás. São várias camadas, mas como o tecido é leve, elas se misturavam embaixo quando a noiva andava, o que resultou em um movimento lindo. As camadas de baixo são mais escuras.

Outra solução encontrada foi em relação à cauda. “Não gosto daqueles vestidos que viram um bololô de tecido na festa. Isso é uma falha de vários estilistas, que não planejam direito o pós-cerimônia. Tive o cuidado de fazer minha cauda como se fosse um forro. Era uma saia mais comprida que ficava por baixo.  Então simplesmente tirei e aí o vestido ficou num comprimento normal. Gostei muito desse resultado”, ensina.

Processo criativo
Com uma mão romântica (vale um parênteses: ela é pisciana) e com a dose certa de sensualidade, Fernanda gosta de ter pelo menos três encontros com a pessoa antes de apresentar o desenho. “Eu acho que quando você faz algo sob medida, não é tão simples assim. Não é em um encontro de trinta minutos que você consegue ‘psicografar’ o que a noiva quer. Muita gente não consegue nem falar. Geralmente o que a gente gosta, está no nosso inconsciente, e nosso papel como estilista é tirar isso da pessoa”, destaca. E com ela própria não foi diferente. Tinha apenas dois meses para produzir o vestido (leia mais abaixo), então separou o primeiro apenas para o autoconhecimeto, para pesquisas e testes em moulage (técnica em que a roupa é feita diretamente no corpo ou em um manequim).

Dois meses
Esse foi o tempo que eles levaram para organizar o casamento. Depois de um pedido super-romântico, o casal foi engolido pelo trabalho e acabaram deixando de lado os preparativos. Até que o noivo falou: vamos ter que marcar a data do casamento porque já comprei as passagens para a lua de mel. Disse isso em setembro, as passagens eram para 16 de novembro. O destino era o Japão, local que Fernanda sempre quis conhecer. Criaram um plano de ação, a mãe dela veio para o Rio ajudar e o casamento foi tornando forma assim que conheceram o Largo do Arruda. Para completar, a casa tinha a data: 14 de novembro, véspera de feriado (e dois dias antes da viagem!).

 

 

Fernanda <3 Daniel
Eles tinham um amigo em comum, que também se chamava Daniel. Aqui vamos chamá-lo pelo sobrenome, Reis. Os “Daniéis” eram amigos de infância (na época, inclusive, moravam na mesma República) e Reis trabalhava com Fernanda. Por isso se cruzavam de vez em quando e até trocavam alguns olhares. Uma colega de trabalho (que virou amiga), Luisa, combinou com Fernanda de ir ao Comuna. Luisa convidou Reis e Reis levou Daniel. Depois de muita conversa (muuuuuuitaaaaaaa), Fernanda e Daniel ficaram. O que pegou ela de jeito (e fez com que ela parasse de se fazer de difícil rs) foi algo especial em comum: “sou do interior de São Paulo, de Araras. E aqui no Rio tem uma cidade que também se chama Araras. Então quando falo de onde eu sou, todo mundo acha que é do interior daqui. Quando falei pro Daniel, ele disse: Araras em São Paulo? Ele já foi para lá, tem até família na cidade. Uma grande coincidência, muito legal”, lembra Fernanda. Desse dia em diante, eles já se grudaram. Tinham uma vida de casados, os trabalhos estavam a mil e foram engolidos pela correria. Fernanda então disse: “de 2016 não passa. Vai ser o nosso ano”. E foi assim que aconteceu: no jantar de quatro anos, ele a pediu em casamento. De um jeito supertradicional: se ajoelhou e fez o pedido. Depois disso, foram para Araras – em São Paulo, vale frisar – e Daniel pediu a mão de Fernanda para o pai dela. Se a maioria das mulheres já suspira com isso, imagina uma pisciana <3

 

 

Quem fez o que:
Vestido: Fernanda Bernardi
Beleza: Valéria Rodriguez
Grinalda: Diana Benchimol
Buquê: Largo do Arruda
Sapatos: Luiza Perea
Local do making of: Grand Hyatt Rio de Janeiro
Local da cerimônia e da Festa: Largo do Arruda
Fotografia: Felipe Lannes
Vídeo:
Romulo Couto – Love on Film
Cerimonial: Largo do Arruda

Tisa Jaques é jornalista e produtora de moda. Escreve sobre casamentos desde 2008. Costuma brincar que a sua missão é não deixar as noivas perdidas na linha tênue entre o brega e o chique.

Você precisa estar logado para comentar Login